Pensamentos

O tempo (re)move

Dia desses relembrando minha infância, pré-adolescência e adolescência, percebi o quão o tempo é misterioso, já notou que 1o ou 15 anos atrás parece que foi ontem? e há 5 dias parece que já fazem meses? essa disfunção do meu tempo torna tudo meio melancólico. As memórias são tão vivas que ainda lembro do perfume que minha mãe usava quando eu tinha 5 ou 6 anos, lembro do quanto era meio doce, meio crítico, um pouco floral. Permanece no meu olfato até hoje.

Canceriana, sou muito saudosista, sou apegada ao passado, e o passado faz parte do meu presente. Gosto de lembrar de todas as minhas fases, das pessoas quais já não fazem parte deste mundo. O tempo é mesmo muito relativo.

Mas sabe, antigamente as coisas pareciam ser mais verdadeiras, tinham um tom lúdico. Minhas infância foi daquelas de filmes dos anos 90, cheia de travessuras e pessoas maravilhosas. Cada vez  que penso nisso, meus olhos se enchem de lágrimas, eu amo minha infância.

Hoje, com outros olhos, um pouco mais sensíveis aos outros olhares, percebo o quanto os adultos perdem a essência facilmente, a cada tropeço, uma queda. Os olhares se perdem entre a roupa que estou usando e o meu cabelo desajeitado. É como se eu estivesse ali para poder provar algo para alguém. Será que o tempo faz isso com as pessoas? ou as consequências?

Sabe, aprendi com meus pais, que a humildade é tudo, e com o passar dos anos, vejo o quanto isso foi importante na minha criação. Na criação do meu caráter. E o quanto isso faz falta para determinadas pessoas, talvez elas não notem o quanto isso faça falta, mas provavelmente se questionam por meio de olhares maldosos, o que há de errado com elas.

Me faço de boba e finjo não notar, pois sei que com o tempo, elas irão perceber o quão elas e isso é desagradável. aliás, que magia que ele exerce sobre elas eim…

Entre um passo lento e outro, penso nas várias fases que passei, de criança quieta, para mocinha respondona, de adolescente boba para o que me tornei e como me sinto atualmente, confesso que às vezes, me falta maturidade, entretanto às vezes me sobra também. Prefiro ficar calada sobre esse assunto, tanto que já evitei várias discussões para me livrar de explicar isto para pessoas que se fazem de desentendidas e surdas. Mas o mundo gira, e rápido.  Um dia a gente é o mundo (ou tenta ser), e no outro o mundo cai sob nossos pés.

Há gente que não sabe isso, mas é bom saber.

“Vocês que são fantasmas para nós, Cecilia, e não ao contrário. Vocês vão e vêm. São vocês que não duram. São vocês que aparecem de repente, e cada vez que uma criança recém-nascida é colocada dentro da barriga da mãe, é uma grande maravilha que se repete. Porém, com a mesma rapidez vocês se vão. Parece que vocês são bolhas de sabão, que Deus vai soprando.” – Através do Espelho, Jostein Gaarder.
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